Prefeitura e Fundo Social anunciam criação de núcleo contra a violência

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          O prefeito Alexandre Ferreira e a presidente do Fundo Social de Solidariedade, Cynthia Milhim Ferreira, apresentaram na tarde desta segunda-feira, 7, o Programa Núcleo Reconhecer. O evento realizado no Gabinete, contou com a presença de vereadores, representantes de conselhos municipais e entidades. 
          Durante seu pronunciamento, Alexandre Ferreira, informou que esse projeto é uma ideia que foi amadurecida e a criação desse núcleo terá o objetivo de estudar, esclarecer e criar possiblidades de acesso para minimizar os danos causados pelos vários tipos de violência, sexual, moral e psíquica. A nova unidade irá acolher, tratar e cuidar, além de vigiar toda a rede de serviços oferecidos para verificar se o tratamento indicado está correto, envolvendo todas as áreas da Prefeitura. 
          Segundo Ferreira, esse núcleo também vai criar programas de educação nas escolas para que a violência seja diminuída. 
          Durante o evento, o chefe do Executivo assinou o projeto de lei, que será encaminhado a Câmara Municipal e após a aprovação pelos vereadores, a Prefeitura abrirá chamamento público para contratar uma instituição, que será responsável pela coordenação do serviço. O núcleo contará com uma equipe multidisciplinar, com psicóloga, assistente social, estrutura física, advogados para oferecer orientações e assistência jurídica, além do encaminhamento dos beneficiados para os serviços que a Prefeitura oferece, nas áreas da saúde, assistência social e educação, dentre outros.  "O que a gente quer é interromper esse ciclo de violência no núcleo familiar, para que no futuro, a criança possa formar uma família bem estruturada e que não seja vítima de violência também, como foram os pais e os irmãos.
          A gente precisa quebrar esse ciclo", comentou o prefeito.
Cynthia Milhim Ferreira, presidente do Fundo Social de Solidariedade (Fussol), afirmou que o trabalho deve ser iniciado na base das famílias, para que os resultados contra a violência doméstica e de outros tipos, possam ser alcançados a curto, médio e a longo prazo. Segundo ela, na maior parte das situações, a pessoa que é um agressor, foi agredida de alguma maneira. "Ela cresceu, principalmente, na primeira infância, sendo agredida ou vendo violência.
          Ele precisa curar essa ferida. A pessoa também sofre por ser agressor. Nós precisamos cuidar dessa mulher, dos filhos dela que estão vendo esse situação, para que as crianças de hoje não se tornem futuros agressores", comentou Cynthia. 
 
LEVANTAMENTOS SOBRE A VIOLÊNCIA
          Durante essa apresentação, a primeira dama e presidente do Fundo Social, apresentou informações e dados importantes que retratam o quadro de violência no país e na cidade. 
          Segundo ela, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2019), registrou, aproximadamente, 210 milhões de brasileiros convivendo com desigualdades sociais, políticas, raciais, de gênero e de acesso a bens. Essas disparidades, por sua vez, são caracterizadas pela pobreza, desemprego, machismo, racismo, LGBTIfobia, misoginia, capacitismo, violência, entre outras questões relacionadas as adversidades sociais.
         Em 2.020, foram registrados 1.350 casos de feminicídios, no Brasil, um crescimento de 0,7% com relação à 2.019. Desse total, 74,7% das vítimas tinham entre 18 e 44 anos, 61,8% das mulheres eram negras e 81,5% foram mortas pelos companheiros ou ex-companheiros.
          O dados mostraram também que, em 2.020, 60.460 casos de violência sexual foram registrados. Isso equivale a 165 estupros por dia. Desse total, 73,7% foram casos de estupro de vulnerável, sendo que 60,6% das vítimas tinham até 13 anos. Além disso, 86,9% das vítimas eram do sexo feminino e em 85,2% dos casos o autor era conhecido.
          Em Franca, as mulheres representam 51,21% da população local. Em 2.021, as Unidades de Proteção Social Especial – CREAS – receberam 40% a mais de solicitações para acompanhamento de violências relacionadas ao gênero. A maioria dos casos relacionados à ocorrência de violência física contra a mulher. Os encaminhamentos apresentaram alta em decorrência de articulações realizadas entre a Política de Assistência Social, a Polícia Militar, através da Patrulha Maria da Penha, e o  Ministério Público.
          Pelos dados apresentados pela presidente do Fussol, no CREAS I que atende as regiões Centro, Sul e Leste, a violência contra mulher representou a maior violação de direitos da Unidade, requerendo o acompanhamento pela equipe da Unidade Estatal de 176 casos novos de em 2.021.
          Na Unidade CREAS II, responsável pelo atendimento das situações de violação de direitos da região Norte e Oeste, a demanda de acompanhamento nas situações de violência contra mulher totalizou 46 novos casos. Vale anotar que no Estado de São Paulo, no primeiro semestre, o aumento de pedidos de medidas protetivas à Justiça foi de 20%.
Informações da Promotoria Pública destacaram que os pedidos de medidas protetivas distribuídas na Comarca de Franca foram de 257 casos e no ano passado, no período de janeiro a outubro, cresceram 47,82%, chegando a 343 casos. No Estado de São Paulo, no primeiro semestre, o aumento de pedidos de medidas protetivas à Justiça foi de 20%.
          Segundo o Atlas da Violência do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), em 2.019, os negros - soma dos pretos e pardos da classificação do IBGE, representaram 77% das vítimas de homicídio. No último ano, a taxa de violência contra pessoas negras foi de 162% maior que entre as não negras. Da mesma forma, as mulheres negras representaram 66%do total de mulheres no Brasil. A população negra em Franca representa, de acordo com o último Censo Demográfico, 30,14% dos francanos. 72% dos/as crianças e adolescentes, em situação de exploração pelo trabalho infantil no município, se autodeclararam como pardas e pretas.

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